Blog dos pesquisadores e músicos André Macleuri e Bruno Rabelo com o intuito de divulgar LPs completos (full albuns) das décadas de 1960 a 1990, produzidos, gravados e lançados na região norte do Brasil. Nosso foco são os gêneros: guitarrada, lambada, carimbó, beiradão, brega, MPB clássica (feita por artistas nortistas) e ritmos afins que foram importantes na gestação de alguns desses gêneros. Não temos fins comerciais. O nome do Canal é uma homenagem ao criador da guitarrada, Mestre Veira.
domingo, 26 de setembro de 2021
terça-feira, 19 de maio de 2020
sexta-feira, 17 de maio de 2019
Vieira e seu conjunto Lambadas das quebradas vol. 2
Este é o segundo álbum da carreira
de Mestre Vieira, o disco que o tornou conhecido em outras regiões do país e do
mundo.
A canção Melô do Bode é responsável pelo sucesso do autor na
região nordeste do país e, posteriormente, na Europa: o álbum foi relançado na Inglaterra em 1988 pelo selo STERN’S
DISPORA sob o título de Lambada e com uma capa que faz referência à canção Melô
do Bode.
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| Foto disponível Neste Link |
Neste álbum, duas músicas podem ser destacadas pelo uso de (ou
recurso semelhante ao) pedal de efeito "whawha", são elas: Lambada do
Rei e Lambada do Sino.
Uma característica curiosa deste disco é o fato de todas as
músicas soarem a aproximadamente um tom acima da tonalidade original. Pois, o
próprio Vieira tocava Lambada do Rei em Dó maior (e não em Ré maior como está
no disco), e Seresteiro em Ré menor (e não em Mi menor como no álbum). Além
dessas, há outras músicas que na gravação aparecem na tonalidade de Mi menor:
Duas Línguas, Lambada do Mapinguari, Joia, Você se afastou de mim e Melô do
Bode. Porém, Mi menor não era uma tonalidade requisitada pelo Vieira, mas sim,
Ré menor, pelo número de músicas que ele fazia neste tom (vide o último disco,
Guitarreiro do Mundo) A Lambada do sino, assim como Lambada do Rei, soa em Ré
maior, enquanto o uso da terceira e da quarta corda solta, é evidente (Nas
músicas instrumentais geralmente Vieira preferia o Dó Maior, pelo uso de cordas
soltas). E por fim Sambista Brasileiro está em Si Maior (Não há música do
Vieira com tonalidades muito acidentadas). Então, possivelmente este disco
passou por um processo de alteração de pitch,
muito utilizado em reprodução musical por DJs e na produção de música
eletrônica, inclusive, foi muito requisitado nos estilos de Brega paraense do início do século XXI (Como o Tecnobrega). Mas o objetivo dessa manipulação geralmente não é alterar a tonalidade, mas sim o andamento da música, para causar um efeito
mais frenético ou aproximar o andamento de uma música a outra, ambos
destinados à atender o público dançante. Também deve ser considerada a
possibilidade de os instrumentos estarem afinados abaixo do diapasão de 440hz
no processo de gravação, mas, por que apenas este disco apresentaria essa
diferença?
André Macleuri
Ouça o disco em nosso canal do youtube ou faça DOWNLOAD AQUI
terça-feira, 20 de março de 2018
Neste
disco, além das inspiradas lambadas , bregas e o sempre presente bolero, Vieira deu ênfase em um gênero latino que até
então não havia tido tanto destaque em
sua discografia: a cúmbia. No álbum de
1985, ele gravou "Vamos Dançar a Cúmbia", e essa era sua única referência explícita ao
ritmo, até aquele momento em sua carreira discográfica. Mas neste LP de 1987,
Mestre Vieira trouxe três temas instrumentais cujo os títulos se referem ao gênero: "Bandolim na Cúmbia", "Cúmbia da Saudade" e "Cúmbia Nacional". Uma motivação provável poderia ter sido o
sucesso do músico Nonato Cavaquinho no ano anterior (1986) com o disco
"Cúmbia Exportação" e o crescente interesse pelo público paraense
pelo gênero naquele período? Fiz um questionamento diretamente para Vieira
do porque do maior destaque das cúmbias especificamente nesse disco de
1987, e ele me respondeu sorrindo que
gravou o ritmo porque "gostava muito".
Há
outra característica importante presente
neste álbum a ser destacada: o uso do bandolim. Esse foi o primeiro instrumento de Vieira,
cujo aprendizado se deu na infância, em fins da década de 30. Até chegar na guitarra elétrica
definitivamente nos anos 70, o mestre passou por inúmeros instrumentos
acústicos como banjo, cavaquinho e violão . O Bandolim é utilizado nas canções "Bola Preta", na já citada "Bandolim
na Cúmbia" e no brega "Tempo de Amar". E nesta música temos mais
uma inovação de seu Joaquim Vieira: é o
primeiro brega instrumental com um
bandolim solista que temos notícia. E
ainda há na mesma faixa um curioso dueto bandolim / sintetizador ( este tocado
por Luiz Poça, o último remanescente do grupo original que acompanhava Vieira
desde os anos 70, Os Dinâmicos). Até então, a última vez que Vieira havia usado
um bandolim numa gravação foi no disco "Melo da Cabra" em 82.
Já
no ano de 2015, em sua derradeira turnê
nacional do disco "Guitarreiro do Mundo" (na qual os donos desse
canal o acompanharam na banda base), Vieira retornaria mais uma vez ao
repertório do disco de 1987. Nessa temporada de shows, Vieira teve a ideia de um
"retorno" às suas "origens acústicas". Num set específico
do show daquela turnê, Vieira saia da guitarra elétrica e num determinado
momento passava a empunhar um cavaquinho (que o mestre carinhosamente apelidava
de "o cavaquinho maluco") e
passava a solar as cúmbias do disco aqui comentado, entre outras.
E
notem uma exclusividade carinhosa do nosso canal: o LP usado no vídeo contém a
bela assinatura do mestre.
Por Bruno Rabelo
Músicas:
01- Bandolim Na Cúmbia 0:00
02- Cúmbia Da Saudade 02:55
03- Bola Preta 05:53
04- Reggae Do Galo 08:25
05- Velho Guerreiro 11:27
06- Vem Cá Meu Bem 15:40
07- Cúmbia Nacional 18:18
08- Africana 21:47
09- Lambada Dos Cabanos 24:34
10- Motorista Amigo 27:14
11- Tempo De Amar 29:59
12- Quero Matar A Paixão 33:07
Músicos Participantes:
Bateria: Roberto/Antonio Carlos
Contrabaixo: Zezinho
Guitarra Base: Cabral
Guitarra Solo: Vieira
Vocalista: Denis
Teclados: Luiz Poça
Percussão: Valdir Vieira / Elias
Ficha técnica:
Produtor Fonográfico: Continental
Direção Artística: Wilson Souto Jr
Produção: Jesus Couto
Estúdio: Gravasom - 8 canais
Assistentes de Estúdio: Waldir/Almir /Leal
Arranjos: Vieira
Eng°.s de Gravação: Fernando Artur/Saulo/Billy Joe
Eng° de Mixagem: Saulo
Técnico de Editagem: Aquilino S. Filho
Supervisão de Corte: Milton Araújo
Foto: Manoel Nunes
Direção de Arte: Toshio H. Yamasaki
Assistente de Arte: Luiz Cordeiro
Paste-Up: Antonio Deliperi
domingo, 18 de março de 2018
"Aldo e Seu Conjunto" (1982):
o "disco perdido" de Aldo
Sena.
para ouvir : https://youtu.be/nGpdxiaW87o
Este é o primeiro LP solo de Aldo
Sena, e ainda sem o sobrenome: é apenas "Aldo e seu Conjunto" (em mais
uma referência direta a Vieira, é claro).
Foi gravado no Mix Som ( que depois passaria a se chamar estúdio Borges)
em 1982, numa única sessão, em um dia apenas. Nesse período, Aldo ainda era
integrante do grupo "Populares de Igarapé Miri", inclusive. Esse LP ficou "perdido" (no
anonimato) por muitos anos. Uma
explicação possível ( que me foi dada pelo próprio Aldo Sena) é que ao ser gravado, demorou a ser lançado, saindo praticamente junto do disco posterior de 83.
E como esse segundo LP fez muito sucesso ( contém canções como Solo de
Craque , Lambada Classe A , Lambada Complicada etc) ele ofuscou o primeiro
LP. E outra curiosidade é que esse mesmo disco foi relançado com ordem de
faixas alteradas e com outra capa e nome: é o disco de 1988, "Dance
Lambadas ".
O disco é composto por lambadas, carimbós,
boleros e bregas. As canções instrumentais
são os destaques do disco tais como "Ripa na Chulipa", "Som
Magneto", "Sinha Mariquinha no
Salão", Meio Pau meio Tijolo e Melo do
Símico" e já mostram um Sena desenvolto nos solos (tinha apenas 23
anos na época!). E ainda que trouxesse referências do seu ídolo Vieira,
ele já começava a despontar como um
guitarrista original. Lembrando que depois
de Vieira e Mário Gonçalves (irmão de Pinduca), ele é o terceiro nome mais
importante da história da guitarrada. Duas faixas cantadas (pelo próprio
músico) se destacam: "Baila
Combeira" (referência a cumbia? talvez...) e "Estrada sem Fim",
com forte inspiração na Jovem Guarda. Sena usou no disco uma guitarra nacional
da marca Snake, que consta na capa. E há um uso do pedal "phaser" , o
mesmo usado no primeiro disco dos "Populares de Igarapé-Miri". Segundo
Sena, o disco foi gravado "na correria" e ele estando com febre
(!!!), portanto, não pode estar na mixagem e nem verificar certos detalhes da
gravação, como uma insistente guitarra base desafinada presente em algumas
canções. Mas a "rusticidade vintage" da gravação acaba dando um sabor
especial às músicas. Há uma "massa sonora" , um vigor presente no álbum.
A
descoberta desse disco de 1982 é recente
até para nós do canal. Em uma entrevista feita por André Macleuri junto a Sena
em 2009, o músico se referiu ao disco mas de maneira confusa, não deixando
claro quando e como foi gravado apenas disse que "fiz um disco que passou
desapercebido", não dando mais muitos detalhes, na época da entrevista. E mesmo em Belém , muitos não conhecem o
disco, apenas as músicas. Importante relatar que uma pessoa que nos ajudou a desvendar parte dessa
história foi o músico Givly Simons dos Figueroas,
ele tem o LP físico. Nosso amigo
alagoano conhece a fundo a música paraense. Mas o dono do LP usado aqui no YouTube vertido para mp3 é de um outro parceiro nosso: o amigo Antonio Barbedo, colecionador
de discos raros antigos paraenses, de colações completas de Vieira entre
outros guitarreiros, além de ser membro fundador do Clube da
Guitarrada aqui de Belém do Pará. Fica
aqui nosso agradecimento fraterno a Simons e Barbedo.
Por Bruno Rabelo
Faixas
Ripa na Chulipa 0:00
Som Magneto 03:30
Por um Amigo , Você me deixou 06:56
Sinha Mariquinha no Salão 09:59
A Menina do Waldir 13:05
Baila Combeira 16:05
Lamento de uma Guitarra 18:42
Estrada sem Fim 21:25
Meio Pau meio Tijolo 24:45
Melo do
Símico 28:02
Produtor Fonográfico: Fermata
Produtor Artístico: Jesus Couto
Coordenação geral: Jesus Couto
Estúdio: Mix Som
Técnico: Napoleão
Mixagem: Jesus Couto e Napoleão
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
Homenagem Fúnebre ao Mestre
E mais uma belíssima imagem do acervo da Secretaria de Cultura de Barcarena: o uniforme original de Vieira e Seu Conjunto, usado na capa e show do disco Lambadas das Quebradas Vol. 3 (1981).
A partida de Joaquim de Lima Vieira, o Mestre Vieira, deixou todos nós fãs numa tristeza profunda, difícil de descrever em palavras. Mas vamos deixar aqui um texto do professor barcarenense Luiz Guimarães, publicado no seu facebook pessoal no dia 02 de Fevereiro de 2018, dia do falecimento do mestre. Uma Singela homenagem.
"Doutor Luiz Guimarães , o ""Professor Leno"" escreve:
Joaquim Vieira,
Foi assim que o conhecemos, vizinho de minha mãe e meu pai. Era famoso por consertar rádios antigos. Morava ainda na Cronje da Silveira. Nessa época era apenas um homem simples e curioso. Estávamos nos meados dos anos 70, até ali ele era somente “seu Joaquim”.
Um dia, meu irmão chegou em casa trazendo um LP com a imagem de umas passistas de escola de samba, dizendo olha que o irmão do seu Izídio lançou. Era o “Lambada das Quebradas” primeiro disco do “seu Joaquim”, que agora se transformara no “Vieira e Seu Conjunto”. Daquele ano de 1978 em diante, vimos o nosso vizinho se tornar um artista. Não havia um só ano que meu irmão Manoel não comprasse a cada final de ano um novo LP do Viera e Seu Conjunto. Cresci ouvindo e vendo sua trajetória artística na cidade. E depois, assistindo as notícias dos feitos de seu sucesso para além do espaço de Barcarena.
Desde o “melo do Bode”, que segundo chegavam as notícias “estremeceram” o nordeste, o Vieira e Seu Conjunto ia aos poucos conquistando o Brasil, até suas andanças por Portugal, África, e tantos lugares por onde passou, não houve mais limite para aquele homem e sua guitarra elétrica. Nas capas de seus álbuns fazia questão de divulgar um lugar ou objeto especial da cidade. Fotografou o “Trapiche Municipal”, o barco da prefeitura “Eduardo Angelim”, “A praça da cidade”, “a Igreja Matriz” e até aparelhagens sonoras. Mestre Vieira foi sem dúvida, o maior divulgador de Barcarena nos últimos tempos. Nunca esqueceu das pessoas e dos acontecimentos da cidade em suas letras de música.
Não a propósito, mesmo depois de fazer grande sucesso. Não era incomum encontrá-lo pedalando sua bicicleta nas ruas da cidade, ou conversando com amigos enquanto aguardava sua vez de comprar o açaí da tarde. Homem simples, criticado por muitos por ser destituído de ambição. Não, esse era o jeito dele.
Contador de histórias, apreciador de futebol, jogador e músico. Não há quem resista, nem que seja com as pontas dos dedos a bater na mesa ao som do mestre.
Tive o privilégio de conhecer e conviver com “seu Joaquim”, com o “Mestre Vieira”, e depois com “o mestre da Guitarrada”. Guardo com muito zelo, lembranças que tive, mais uma vez o privilégio de receber de suas mãos.
Direi com muito orgulho, eu conheci o seu Joaquim de Lima Vieira, o mestre que inventou a lambada, depois transformada em guitarrada. Fui seu vizinho, seu amigo de trabalho, seu fã incondicional e eterno admirador.
Vá em paz, que por aqui continuaremos a admirar seu trabalho."
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
PINDUCA VOL. 8
Aurino Quirino PINDUCA Gonçalves possui
impressionantes 36 discos lançados em mais de 50 anos de carreira. Mas foi na
década de 70 que ele lançou os clássicos álbuns que lhe renderam uma
notoriedade inconteste: ser considerado o "divisor de águas" da música
popular feita no norte do país (sobre o
momento histórico/social da música paraense anos 70 consultar o texto sobre o
disco de Mestre Lucindo aqui do nosso canal).
Natural
de Igarapé-miri (terra de artistas renomados como Pantoja do Pará, Aldo Sena,
João Gonçalves, Mário Gonçalves, Pim e Dona Onete), Pinduca lançou oito LPs
fantásticos de 73 a 79. Neles temos uma representação cultural/social
emblemática e na época inédita: o cruzamento da música interiorana tradicional
aliada as sonoridades cosmopolitas da capital Belém do Pará.
Importante
ressaltar que a sonoridade coesa dos discos dessa fase (a maioria gravados em
estúdios de SP e RJ) se deve não só a sagacidade de Pinduca como cantor,
compositor e arranjador (experiência acumulada desde os anos 60 onde tocou
percussão e bateria em diversas orquestras de baile na noite de Belém, entre
elas a "Orlando Pereira"). O mestre soube também reger e escolher
muito bem os músicos de sua banda base que atuaram nos discos dessa primeira
década de carreira. Houve uma razoável rotatividade, porém estes
instrumentistas deram contribuições essenciais às obras do rei do carimbó. Nos
sopros tivemos Bemol, Benedito Palheta (ambos trompetistas), Pantoja do Pará e Santos
(estes saxofonistas). Estes senhores eram os solistas do grupo, alternadamente
nos discos. Vindos de orquestras de baile, bandas militares e de coreto do
interior, os fraseados desses músicos se tornaram uma das marcas registradas
no trabalho de Pinduca, complementando suas canções e trazendo um sabor único à
sonoridade de seu conjunto. Na bateria e
percussão passaram pelo grupo os músicos João Batista, Libonate, Ronaldo Baia e
Mauro do ritmo. Dani Gonçalves foi o primeiro contrabaixista e tocou nos primeiros
cinco LPs. Já nos quatro discos
posteriores dessa fase ( vol 06 a 09) quem assume o baixo é Téo (cujo o apelido
posterior seria "Théo Moreno" nos tempos da banda de rock Álibi de
Orfeu e atualmente Black Théo). Nas guitarras participaram Mário Gonçalves (texto
específico sobre ele e sua importância na música paraense publicado no blog e
aqui no nosso canal), Dinaldo Gonçalves e Guru. Além de Sabá , nos vocais de
apoio. Entre outros.
No
volume 08, além do seu consagrado carimbó elétrico permeando o disco, Pinduca e
sua banda se aventuram num "colorido rítmico" levemente diferente em
relação aos discos anteriores. Há ritmos como banguê , chá-chá-chá, marcha e
finalmente um uso da lambada pra além de experiências com o samba: agora ela se
faz presente em três canções como "Eh rapaziada", "Não Posso
Mais" e na curiosa "Melô do Estivador" dos contraditórios versos
"...já transformaram a Lambada em merengue...". Uma possível
explicação para tal alusão podemos encontrar numa fala dada pelo próprio
Pinduca que certa vez em um entrevista nos anos 00 disse ao repórter "nós
vencemos o merengue no fim dos anos 60" se referindo ao ritmo caribenho
como uma "invasão estrangeira" em terras paraenses.
Contraditoriedades a parte, o fato é que o merengue é um dos ritmos caribenhos
historicamente consagrados em solo
paraense desde os anos 50/60 e tido como ritmo base da própria lambada. Havia
inclusive uma máxima local muito usada até recentemente na qual qualquer alusão
a algo caribenho ou latino era logo classificada como "merengue",
tamanha força e influência que o gênero dominicano tem no norte do país. Um detalhe importante
referente a formação da banda base que toca no disco também merece ser
destacado: Esse é o único disco dos anos 70 onde Mário Gonçalves, o fiel
guitarrista escudeiro e irmão de Pinduca, não participa. A guitarra que se
houve no disco é unicamente de Guru, instrumentista que participará de outros
discos do rei do carimbó posteriormente, além de ter atuado como músico de estúdio
nos anos 80 e fundar nos anos 90 a "Banda Nova" (conjunto de carimbó
que terá relativo sucesso tendo lançado três CDs). Neste disco, Guru, deixa sua
marca. Há além das tradicionais guitarras rítmicas no estéreo, também alguns fraseados,
ora tocados de maneira econômica (em duetos com os sopros de Bemol e Santos nas
canções "O cavalo" e "Có-có-có-ró-có"), ora executados de
um modo mais expressivo em canções como "Não Posso mais" e "Linguarudo
Falador" (nessa um ineditismo nos discos de Pinduca, com a total ausência
de sopros na canção). E o grande hit de destaque desse disco é a clássica
"Vai ao Pará , Parou" com sua letra "visual" aludindo uma
tarde agitada típica no comércio de Belém do Pará, na beira da baía do Guajará:
"No
Comércio é a agitação
O Ver-o-Peso é uma
parada!
Na rua sete de
setembro
É apertadinho,
camarada.
O buraco na voz do dia
É um folclore
popular!
Cumprimenta a tia Raimunda
E seu amigo
particular.
Samba tem no
"Quem são Eles"
E no "Rancho
não Posso me Amofinar!" "
A canção é cantada ainda nos dias de hoje por mestre Pinduca,
e nessa gravação o solo principal é executado pelo grande trompetista ( já
falecido) Bemol.
Por Bruno Rabelo
P.S. : faço aqui um agradecimento público aos músicos paraenses Mg Calibre e Patrich Depailler que me auxiliaram em dados "cirúrgicos" específicos do texto. Obrigado amigos.
Ficha técnica
Vocal - Pinduca
Vocal de apoio -
Sabá
Bateria - Ronaldo
Baía
Guitarra - Guru
Baixo - Téo
Saxofone - Santos
Trompete - Bemol
Orgão - Cristovão
Produtor
Fonográfico: Som Industria e Comércio S.A
Direção Artística:
Paulo Rocco
Direção de Produção:
Talmo Scaranari
Produção Executiva:
Pinduca/ Talmo Scaranari
Coordenação
artística: Roberto Ramos
Arranjos: Pinduca
Técnico de Gravação:
Zilmar Araújo
Técnico de Mixagem:
Zilmar Araújo
Técnico de Corte
(masterização): Jorge Emilio Isaar
Gravado no Estúdio:
DO-RÉ-MI em SP
Coordenação e
supervisão: Impulso Marketing e Propaganda LTDA
Foto-capa: Ramon
Rodrigues
LADO A
1. Eh Rapaziada
2. O Cavalo (El Caballo)
3. Chá Chá Chá Do Pará
4. Sereia
5. Melô Do Estivador
6. Disco Voador
LADO B
1. Vai Ao Pará, Parou
2. Mensagem À Recife
3. Rebu Do Ocrides
4. Có-có-có-ró-có
5. Não Posso Mais
6. Linguarudo Falador
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
Aldo Sena - Segundo álbum
Segundo LP de Aldo Sena, gravado no ano de 1984
Você pode BAIXAR
Ou ouvir em nosso canal do YOUTUBE
Músicas:
LADO A
1. BIG SHOW
2. LAMBADA DO PAPAO
3. JULIANA
4. LAMBADA DO CAMPEÃO
5. PARAÍSO
6. GOSTO DE VOCÊ
LADO B
1. SOLO DE OURO
2. LAMBADA DO LEÃO
3. MENINA DO CINEMA
4. LAMBADA DO BOMBA
5. FESTA DO AMOR
6. TRANSFUSÃO DE BORDÃO
Oseas e sua Guitarra Lambada brasileira 1989 (Completo)
LADO A
1. BRIGUEI COM MINHA NEGA 00:00
2. XOTE DA MOÇA 02:38
3. COADOR DELA 05:29
4. CHEGA PRA CÁ MEU BEM 08:32
5. LAMBADA AMAZONENSE 11:46
6. FORRÓ DO ARRASTA-PÉ 14:52
LADO B
1. MORENA LINDA 17:31
2. VOCÊ QUER UMA CHUPADINHA 20:03
3. LAMBADA BRASILEIRA 23:20
4. MERENGUEI EM PANAMÁ 25:41
5. FEBRE DE ENFERMEIRA 28:38
6. LAMBADA DA PESADA 31:45
LP digitalizado por A. Macleuri
Acervo pessoal de A. Macleuri
Você também pode baixar este disco AQUI
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
terça-feira, 3 de outubro de 2017
Aldo Sena e Seu Conjunto - 1986 completo (full)
Depois de Mestre Vieira, Aldo Sena é considerado o segundo grande ícone da lambada instrumental. Motivos: técnica peculiar, virtuosismo e compositor inspirado. Com 38 anos de carreira, tem vasta discografia ( 14 discos , sendo 6 Lps solo nos anos 80) e ainda foi o "alter ego" "Carlos Marajó" mais profícuo, tendo gravado seis discos dos sete da série "Guitarradas" da Gravasom.
Neste terceiro disco solo, lançado em 1986, há destaque para cinco canções instrumentais: as lambadas "Moscou no Embalo", "Melô do Halley", "Cercando o Frango" ( levemente inspirada na "Lambada pra Você" do Cantor PIM de 79) e "Beliscando a Lua", talvez a melhor canção do disco (uma espécie de "irmã" gêmea de "Melô do Halley"), além do bonito bolero "Preguiçoso" num raro momento de Sena executando "bends" (lembrando seu mestre maior, Vieira) . No carimbó "Ricardão", o solo é do emblemático saxofonista paraense Manezinho do Sax, que também participa de outras faixas. Em "Júlio e Nay" um momento inusitado: uma tentativa de rock estilo anos 50 cujo o refrão é "Julio e Nay, rock e reggae pra você!".
Ps: Não tinhamos a capa e contra-capa originais, portanto, as fotos do disco que aparecem no vídeo foram copiadas do site Discogs, e estão em baixa qualidade.
Ps2: As canções que abrem o lado A e lado B (Moscou no Embalo e Agarradinho) contém "pulos" devido alguns arranhões presentes no LP.
Ficha Técnica Direção de Produção: Aldo Sena Estúdio: Gravasom - Belém PA Técnicos de gravação: Fernando Artur/Saulo Texeira Mixagem: Saulo Teixeira
Por bruno Rabelo
LP ripado e digitalizado por André Macleuri
Ps: Não tinhamos a capa e contra-capa originais, portanto, as fotos do disco que aparecem no vídeo foram copiadas do site Discogs, e estão em baixa qualidade.
Ps2: As canções que abrem o lado A e lado B (Moscou no Embalo e Agarradinho) contém "pulos" devido alguns arranhões presentes no LP.
Ficha Técnica Direção de Produção: Aldo Sena Estúdio: Gravasom - Belém PA Técnicos de gravação: Fernando Artur/Saulo Texeira Mixagem: Saulo Teixeira
Faixas Lado A
1. Moscou no Embalo
3. Melô do Halley
4. Mundo de Amor
5. Preguiçoso
6. Ricardão
Faixas Lado B
1. Agarradinho
2. Cercando Frango
3. Beliscando a Lua
4. Amor Perdido
5. Júlio e Nay
6. Amor de Belém
Solano e seu conjunto vol3 1986 completo
LADO A
1. QUERO TE VER SORRINDO 00:00 2. PRECISO TE VER 02:37 3. VEM AMOR 05:03 4. SUZI 08:14 5. SAUDADE DO PIAUÍ 10:46 6. POUT-POURRI (SOM DA NOITE) 13:40 a. (you are) my way of life b. The world we knew (over and over) c. Seul sur son étoile d. Il buono, il brutto, il cattivo (The Good, the Bad and The ungly) LADO B 1. MINHA CANÇÃO 16:54 2. DANÇA DO BLACK 19:35 3. IMPOSSÍVEL AMOR 22:18 4. MINHA NAMORADA 25:11 5. SOLO ROMÂNTICO 28:27 6. LAMBADA DA FARINHADA 30:56
1. QUERO TE VER SORRINDO 00:00 2. PRECISO TE VER 02:37 3. VEM AMOR 05:03 4. SUZI 08:14 5. SAUDADE DO PIAUÍ 10:46 6. POUT-POURRI (SOM DA NOITE) 13:40 a. (you are) my way of life b. The world we knew (over and over) c. Seul sur son étoile d. Il buono, il brutto, il cattivo (The Good, the Bad and The ungly) LADO B 1. MINHA CANÇÃO 16:54 2. DANÇA DO BLACK 19:35 3. IMPOSSÍVEL AMOR 22:18 4. MINHA NAMORADA 25:11 5. SOLO ROMÂNTICO 28:27 6. LAMBADA DA FARINHADA 30:56
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
domingo, 1 de outubro de 2017
Marinho Guitarra de Ouro - Melô da Pirâmide (full album)
Este disco traz a música “Melô do Apaixonado” (que pode ser ouvida AQUI), sem dúvida, um dos maiores hits da história da história guitarrada. Outra
música que nos chama atenção é “Invocado” (que pode ser apreciada AQUI) por trazer melodias do solo de guitarra da famosa música do grupo Os
Paralamas do sucesso: Alagados.
O álbum como um todo é bem interessante, possui
apenas músicas instrumentais, consolidando, de fato, um “disco de guitarrada”. Melodias
atraentes, guitarras e baixos bem afinados e guitarra solo com frases “limpas”,
fazem de Marinho um músico bem versátil. Já a bateria de todo o disco é
eletrônica, provavelmente eletro-ritmo de teclado. Infelizmente Marinho só gravou
este disco de guitarradas, não sendo possível fazer maior observação sobre ele
como um guitarreiro.
Antes de lançar este álbum, Marinho era integrante
do "Solano e seu conjunto" e participou da gravação dos três
primeiros álbuns deste, tocando guitarra, teclado e compondo. Sua última grande
aparição na mídia foi pelo sucesso com o Brega “Rupinol” no início dos anos
2000. Infelizmente "Mário perneta" (como era chamado pelos amigos
mais íntimos do seu meio musical) sofreu um acidente de automóvel e partiu para
outro plano.
LP digitalizado e masterizado digitalmente por A.
Macleuri
Vieira e seu conjunto Melô da Pomba 1989
11° disco de Vieira, "Melô da Pomba"
(1989) foi o momento onde Vieira voltou a gravar no importante estúdio ERLA-
Rauland agora renomeado para "RJ" (neste estúdio na década de 70
ocorreram registros históricos dos primeiros LPs de Pinduca, Verequete, Cupijó,
Lucindo, Carlos Santos, Raimundo Soldado e do primeiro disco do próprio
Vieira). Após seis álbuns gravados no
estúdio da Gravasom, foi no estúdio da RJ que Vieira registrou seus últimos
discos na era analógica (além deste, "Lambadas e Cambará" de 1990 e
"40 Graus" 1991). Este é o primeiro LP de Vieira onde percebemos o
uso de uma bateria eletrônica (um pequeno indicativo de uma nova era que estava
prestes a chegar na década seguinte na área musical: a transição do analógico
para o digital). Destaco algumas faixas desse disco: "Guitarra de
Aço" (onde em certos momentos é possível notar no fraseado virtuoso de
Vieira uma nítida conexão com um dos seus ídolos, Waldir Azevedo), "Só Sei
Amar", "Rainha" e o brega que encerra o disco, "Na
Gafieira".
Na capa
deste disco temos uma representação simbólica tipicamente paraense e muito importante
para a cultura local: uma "Aparelhagem". Segundo Vieira me relatou,
esta aparelhagem pertencia a uma de suas irmãs. "As festas de
aparelhagem", como o próprio nome diz, são festejos onde temos enormes
caixas de som onde um ou mais DJs organizam a trilha sonora. Estas festas no Pará foram importantes para a
propagação da música caribenha (merengue e bolero - anos 60, cadence lypso -
anos 80), brega e guitarrada (anos 80/90), bem como o gênero tecnobrega, que surgiu
e propagou-se inicialmente pelas aparelhagens nos anos 2000. Essas mesmas grandes paredes com aparelhos de
som empilhados são encontradas em diferentes partes do mundo: no Maranhão temos
as "radiolas", na Colômbia os "Pícos" e na Jamaica os
"Sound System". O seminal
disco "Mestres da Guitarrada" de 2003 também tem em sua capa uma
aparelhagem. Foi inspirada no "Melô da Pomba"? A resposta é: sim!
Ps: Na extrema esquerda da capa temos um filho de
Vieira (bateria) e ao lado do mestre, agachado, está outro filho: Waldecir
Vieira, que após alguns anos se tornou o baterista oficial da banda do pai, mas
no disco está como percussionista. E Luís Poça (em pé a esquerda ) aparece como
o único remanescente do antigo grupo de Viera, Os Dinâmicos
LADO A
1. MELÔ DA POMBA
2. GUITARRA DE AÇO
3. NO SOM DO CAMBARÁ
4. CARINHANDO
5. PROGRAMADOR
6. SÓ SEI AMAR
LADO B
1. BEIJINHO DOCE
2. VAMOS DANÇAR O CAMBARÁ
3. PESCADOR
4. RAINHA
5. É BOM DEMAIS
6. NA GAFIEIRA
sábado, 30 de setembro de 2017
TRILOGIA DAS QUEBRADAS: Vieira e seu Conjunto (De 1978 à 1982)
Pras quebradas do Tocantins, do Marajó, de Belém,
das vilas de Barcarena... Qualquer que fosse a quebrada, Vieira e seu conjunto estava
lá animando a festa com muita lambada na orelha do povo em meados da década de
1970.
Lambadas das Quebradas (volumes 1, 2 e 3), assim
são denominados os três primeiros álbuns gravados por Vieira e seu conjunto,
lançados, respectivamente em 1978, 1980 e 1981. A trilogia Lambadas das
Quebradas é a essência da música paraense do gênero que estouraria na década de
1980.
Essa trilogia tem certas características próprias: O
recorrente uso das maracas e a levada de bateria de Cassiano Pereira nas
lambadas que parecem ter, ritmicamente, uma intenção carimbó. Bem como alguns
temas de pouca letra e refrão em coro uníssono (embora nem sempre em uníssono, como
no verso "olha o mestre aí..." em Lambada do Mestre). E ainda os
temas do folclore, principalmente o amazônico: Lambada da Curupira, Lambada do Mapinguari
e Lambada do Fantasma. Além daquelas com uso de linguagem tipicamente
ribeirinha: “... Quem tem duas línguas é jacuraru/ quem tem olho grande é o
aracu...”; todas com um ar bem humorado, tal qual a personalidade do Vieira. Outra característica intrínseca a essa
trilogia é o som do baixo cujos ouvidos atentos percebem logo, à primeira
audição, que não está bem afinado. Conforme relatos do próprio Vieira e de
músicos que integraram o grupo na época, o baixo utilizado nessas gravações foi
construído pelo baterista da época, não possuía trastes e só tinha duas cordas.
Essa é uma longa história que foi contada pelo próprio baterista da época e
pode ser lida AQUI.
A respeito dos integrantes do conjunto nesses três primeiros
discos, é importante observarmos dois detalhes:
1.
No primeiro volume, todos os integrantes são
apresentados por apelidos, exceto o “band leader"¹.
2.
No terceiro, o baixista não é mais o mesmo dos
dois anteriores².
¹ Os relatos afirmam que isso aconteceu pela
dificuldade de contato entre a produção e a banda, pelo mesmo motivo, a arte de
capa do álbum foi improvisada, utilizando-se uma foto de um calendário de
parede. Assim, os músicos são apresentados na contracapa como:
Vieira - Guitarra solo
Coalhada - Guitarra base
Carequinha - Baixo
Cocada - Bateria
Papa-veia - Pandeiro
Sombra - Ganzá
Canela de vidro - Treme-terra
Quiabão - voz
Onde:
Coalhada= Honório
Carequinha=Celestino
Cocada=Pereira
Para-veia=Poça
Sombra=Vieira Filho
Canela de vidro=Oliveira
Quiabão=Magno
² Assim como no volume 2, a contracapa traz uma
nota sobre o grupo; nesta é mencionado o fato de ser outro músico tocando
baixo, só não explica que o Celestino, baixista dos álbuns anteriores, faleceu
e foi substituído por Luís Poça. Mas pelo que podemos observar ao ouvir, o
instrumento utilizado deve ter sido o mesmo.
Logo após a trilogia, Vieira gravaria um álbum que
se chama “Lambadas e Quebradas”, mas com outro nome, um pseudônimo, que nada
mais é do que seu último sobrenome seguido de um nobre título: Lima –
guitarreiro do amazonas. Este disco contém versões, ao estilo do Vieira, de
músicas de sucesso gravadas pelo lendário guitarrista Poly, do Poly e seu
conjunto. E pode ser ouvido AQUI
Ainda em 1982 foi gravado o álbum Melô da Cabra, que já demonstra melhor qualidade em produção. Não se sabe se foi lançado antes ou depois do "Lima", a própria memória dos que
participaram, após 35 anos, já não consegue nos responder.
Por André Macleuri
LINKS:
Lambadas das Quebradas vol. 1:
YOUTUBE
Lambadas das Quebradas vol. 2:
YOUTUBE
Lambadas das Quebradas vol. 3:
YOUTUBEVieira e seu conjunto Colombiana 1984 (completo)
Sexto álbum do Vieira e seu conjunto
Músicas:
1. COLOMBIANA
2. CHORA
3. GLOBO DE OURO
4. INIMITÁVEL
5. COISA OFERECIDA NÃO TEM PREÇO
6. AMOR SE PAGA COM AMOR
LADO B
1. MOTOQUEIRO
2. CASAMENTO NO ESPAÇO
3. MORENA BOA
4. MELÔ DA ÉGUA
5. VAI CHAMAR O VIEIRA
6. CRIOLA
Mario Gonçalves Guitarrando na Lambada (primeiro disco 1982) completo full
Este é o primeiro disco solo do
guitarrista paraense Mário Gonçalves, lançado em 1982. Mário é irmão dos cantores Pinduca e Pim
(família natural da cidade ribeirinha de Igarapé Miri, distante 142 km de Belém
do Pará). Gonçalves integrou a banda base do "Rei do Carimbó" por
mais de 20 anos, gravando 15 discos (anos 1970/80). Normalmente, no carimbó
tradicional acústico, um banjo é quem faz a base rítmica. Porém, Mário
Gonçalves, juntamente com Dani Gonçalves (guitarrista base atuante nos
primeiros cinco discos de Pinduca) foram os pioneiros a usarem a guitarra
elétrica no lugar do banjo, em 1973, no disco de estreia de Pinduca. A partir
do vol 04, os discos do "rei do carimbó" terão quase sempre duas guitarras rítmicas cada
uma com um padrão rítmico específico (e mixadas no canal estéreo da seguinte
maneira: uma no canal esquerdo e outra no direito). Este padrão criado por
Mário e Dani passou a ser imitado pelos guitarristas de carimbó e lambada da
região norte desde então.
Em
1976, Mário Gonçalves realizou um outro feito histórico: foi o solista em uma
música intitulada "Lambada (sambão)", a primeira gravação oficial do
gênero (LP No Embalo do Carimbó e Sirimbó vol 5 de Pinduca). Na década de 1980 também foi músico de
estúdio da gravadora Gravasom, participando de inúmeros discos de artistas
locais, além de ter participado de alguns álbuns do seu outro irmão, Pim (onde
pode solar os carimbós com maior espaço e mais liberdade que nos discos de
Pinduca). O sucesso de Vieira e seu
Conjunto e a série Guitarradas com as lambadas instrumentais no início dos anos
1980 deve ter motivado Gonçalves a finalmente estrear sua carreira solo. Ao
todo, foram seis Lps gravados de guitarrada.
A
notícia que temos é que esse importante “guitarreiro” atualmente está afastado
da música.
Por Bruno Rabelo com colaboração de André Macleuri
LP digitalizado e masterizado digitalmente por A.
Macleuri
BAIXAR esse disco (mp3 320 kbps)
Mestre Lucindo - Isto é Carimbó!! Conjunto Carimbó Canarinho de Marapanim
O maior poeta do carimbó chama-se Lucindo Rebelo da
Costa (1908/1988), mais conhecido como "Mestre Lucindo". Natural de Marapanim (PA) - cidade banhada
pelo rio homônimo e que possui praias belíssimas como Crispim e Algodoal -
Lucindo foi também pescador, cantor, compositor e banjoísta. Liderou durante
décadas seu grupo de carimbó "Os Canarinhos".
O Carimbó é um ritmo afro-ameríndio
nascido ainda no século XIX no Pará. Permaneceu durante mais de 100 anos
restrito ao interior do estado, junto a determinadas comunidades ribeirinhas e
praianas. O gênero não teve grande penetração na capital Belém até a década de
70 do século XX. Porém, foi nessa década que bens culturais nacionais
produzidos pela industria cultural brasileira passaram a ser consumidos em
larga escala. No Pará um reflexo desse
momento aconteceu quando, pela primeira vez em sua história, o carimbó, até
então um ritmo musical interiorano, passa a interessar a população da capital
paraense por conta do primeiro disco do cantor
Pinduca, lançado em 1973. Apesar de Verequete (vinculado ao carimbó
tradicional) ter lançado o primeiro disco do gênero em 71, foi com Pinduca e
seu carimbó inovador (misturando o tradicional - sopros e tambores - e o
moderno - guitarras, baixo e bateria) que o ritmo paraense até então adormecido
(com uma origem mais antiga que o ritmo tido como nacional, o samba) conseguiu
vir a tona e se consagrar na capital paraense. Seu disco de estréia vendeu 15
mil cópias, algo até então inédito no mercado local. Pinduca foi alçado
nacionalmente naquela década, tendo sido inclusive aclamado pelo estudioso e
folclorista brasileiro Luís da Câmara Cascudo
com a seguinte fala "sim
Pinduca você é mesmo o rei do carimbó!". Com o sucesso do gênero, surgiram
muitos selos interessados em gravar o ritmo.
É nesse contexto que ocorreu o convite para que Lucindo Rebelo e seu
conjunto "Os Canarinhos" viessem à Belém em 1974 registrar seu
primeiro (e único) disco. A gravação ao vivo em 2 canais foi feita no estúdio
da Rauland (ERLA) e o lançamento do long play efetuou-se pelo selo
RGE/FERMATA. Porém o LP não trouxe a
Lucindo e seu conjunto, dividendos. Mas entrou pra história como o primeiro
disco gravado em Belém exclusivamente por tocadores de carimbó residentes no
interior do Pará. O disco gravado por
Mestre Lucindo não alterou seu modo de vida: ele continuou a sua vida de
pescador e músico eventual na sua cidade natal. A natureza local era a
inspiração para o mestre compor suas belíssimas canções. Algumas delas se
tornaram verdadeiros hinos nas décadas vindouras como "Pescador",
"Maçariquinho", "Relampiando", "Menina Bonita",
"Peru do Atalaia" e "Adeus Morena". Segundo o professor e
pesquisador Antonio Maciel (autor do primeiro mestrado sobre o gênero -PUC
1983- cujo foco foram as letras de Lucindo), o pescador-poeta-caboclo traduziu
como poucos a vida interiorana praiana amazônica em suas músicas. Diz Maciel
também que o carimbó “[...] dando conta do seu dia a dia, no campo ou no mar,
relatando os seus conflitos sociais, políticos e econômicos [...], retrata a
vida do homem interiorano marginalizado e esquecido ao longo da história”.
Quando Lucindo faleceu aos 80 anos em 1988, vivia de forma muito modesta,
praticamente ignorado. Infelizmente não pôde desfrutar do "revival"
que outros mestres obtiveram nos anos 90 e 00, quando a cultura paraense
acabaria finalmente tendo destaque nacional para além de realces eventuais. Entretanto
o legado ficou. Sua música continua sedo perpetuada por inúmeros tocadores de
carimbó e também músicos em geral, influenciando gerações. E assim a poesia de
Mestre Lucindo permanece viva como parte integrante do imaginário cultural
paraense.
Por Bruno Rabelo
Digitalização e masterização digital do LP: André
Macleuri
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